| O Caboclo traduz toda uma maneira
de ser de um tipo humano brasileiro, principalmente
da Amazônia, enriquecido por muitas gerações,
por toques e tiques, jeito de falar, de ser e de viver.
Tem seu jeito peculiar de contar
histórias da natureza, pois, quem melhor que
ele pode traduzir todas estas sensações
que vem do contato direto com a terra, com os rios e
igarapés, com os seres que povoam o espaço
que ele habita, o dia, a noite, o vento, o sol, as intempéries
ocasionais. Tudo é sentido em sua pele, interiorizando,
formando um único conjunto.
Seu respiro é no mesmo compasso
com a natureza, sendo um pulsar cheio de vida que esta
lhe proporciona. Para ele, uma palavra significa mil
intenções e sensações.
“Para se locomover, o caboclo
da Amazônia usa a canoa que o índio inventou,
um instrumento leve, capaz de se enfiar por entre os
troncos das florestas alagadas sem espantar os peixes
que serão pescados. O caboclo amazônico
vive sem conforto na beira da água, sem esgoto
nem luz elétrica, mas o peixe e a roça
não deixam que ele conheça a miséria.
Descendente do índio, dos primeiros europeus
e dos negros, ele adotou o anzol e a rede de pesca,
mas usa também arco, flecha e arpão. Em
cima de um flutuante que vende confortos da civilização,
como sabonete e isqueiro a gás, é comum
estar espetada uma antena parabólica que atrai
os vizinhos à noite. O caboclo vive numa dimensão
de tempo diferente. Ele é um índio que
vê novela da Globo e usa óleo de soja”
(Tales Alvarenga – Revista Veja)
O caboclo é homem simples,
as vezes chamado de “cabuçú”,
eternizado nas figuras dos personagens “Lurdico”
e “Vardico”, quase um anti-herói,
é “brabo”, corajoso e lutador.
Mas para perceber tudo isso, a gente
tem que ser caboclo ou conviver com ele, aspirar o ar
que ele respira, andar com seus passos, muitas vezes
a pés descalços, imitar seu jeito de remar,
de falar, voltar a ter um pouco de inocência disfarçada
e mergulhar, sim, mergulhar neste universo caboclo,
com a disposição de aspira-lo e saboreá-lo
de todas as formas possíveis.
Assim é GILBERTO PINHEIRO,
caboclo, apaixonado pela Amazônia, homem despojado
de qualquer maneirismo urbano, que quando conversa sobre
as coisas da natureza, a afinidade é total.
Hoje, 23/03, esse caboclo completa
mais um ano e todos os seus amigos caboclos lhe desejam
muitas felicidades.
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