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Gestão Judiciária em Foco | Tribunal de Justiça inicia campanha de recuperação orçamentária
 

O Presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Desembargador Raimundo Vales está determinado a retomar o índice de 8% de participação do Poder Judiciário no orçamento geral do Estado, reduzido no ano de 1995 e jamais restabelecido o que, segundo o magistrado, gera "problemas e apreensões a todos desta Corte, porquanto a administração não consegue atender a todas as demandas, inclusive as de caráter interno".

Naquele ano, atendendo apelo do então governador João Alberto Capiberibe, os Poderes, Judiciário, Legislativo, Tribunal de Contas e Ministério Público, concordaram em compartilhar de um esforço conjunto, abrindo mão de parte de seus recursos orçamentários para a criação do Fundo de Investimento Social. E foi assim que se reduziu de oito para seis por cento a participação do Tribunal de Justiça no bolo orçamentário do Estado, nos meses de julho a dezembro daquele ano.

A partir de 1996, quando deveria ser retomado o percentual de 8%, a Lei Orçamentária fixou a participação do judiciário em apenas 5,8% , acarretando drástica redução de recursos, gerando um verdadeiro descompasso entre o orçamento e as reais necessidades da Justiça Estadual, fazendo com que seus gestores tenham que recorrer insistentemente ao Executivo Estadual na busca de complementação orçamentária para poder cumprir suas responsabilidades administrativas e legais.

"Encaminhei expediente ao Governador Waldez Góes relatando o problema e as dificuldades que enfrentamos para fazer o Poder Judiciário funcionar com os parcos recursos disponíveis. Tenho certeza de que sua Excelência se sensibilizará e nos apoiará nessa campanha que, acima de tudo, visa manter a prestação de serviços à comunidade amapaense com o padrão do judiciário mais eficiente do Brasil, conforme números divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça", disse o Presidente do TJAP, Desembargador Raimundo Vales.

No expediente encaminhado ao executivo o magistrado apresenta um demonstrativo de crescimento nos últimos dez anos, das demandas sociais de responsabilidade do Poder Judiciário, destacando a evolução em 371,14% no número de processos – unidade de produção -, enquanto o crescimento orçamentário, em números absolutos, no período, foi de apenas 156,87 por cento.

O documento também enumera uma série de medidas tomadas pela atual administração, visando racionalizar recursos financeiros sem perda de qualidade da prestação jurisdicional. Dentre elas a racionalização de custos; a atualização de valores das taxas judiciais e a adoção das modalidades de pregão presencial e pregão eletrônico no processo licitatório representando grande economia ao judiciário.

A implantação do sistema Tucujuris – Processo Judicial Eletrônico, padronizando procedimentos, formulários e documentos, imprimiu maior celeridade aos atos judiciais e melhor aproveitamento de insumos, bens e mão-de-obra.

"Tal situação não pode perdurar por muito tempo. Dificulta o planejamento de nossas ações, provoca desgastes nas relações institucionais e a sociedade amapaense merece uma prestação jurisdicional de qualidade, reconhecida como a mais célere do país", avalia o Desembargador Raimundo Vales, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado, garantindo que a sua luta para recuperar o percentual de 8% do orçamento do Estado para o Judiciário percorrerá todas as esferas de Poder do Estado.

Assessoria de Comunicação Social

Macapá, 02 de maio de 2006.

 

 
Visualize documentação encaminhada ao Excelentíssimo Senhor Governador do Estado, abaixo:
 
Ofício Nº 0160 / 2006 - GP
Exposição de Motivos
Demonstrativo dos Orçamentos do TJAP
Evolução do Quantitativo de Servidores do TJAP
Evolução da Estrutura Organizacional Judiciária
Evolução dos bens imóveis do TJAP
 

 

Ofício nº 0160 / 2006-GP

Macapá, 28 de abril de 2006.

Senhor Governador,

Temos a honra de encaminhar à consideração de Vossa Excelência EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS na qual esta Corte expressa suas reais preocupações com as dificuldades orçamentárias que tem experimentado, como resultado do descompasso que ocorre entre o valor do seu orçamento confrontado às demandas sociais, cujas soluções são de sua responsabilidade.

O documento objetiva mostrar a necessidade da retomada do índice de 8,0% de participação deste Tribunal no Orçamento Estadual, cuja troca por 5,8% ocorreu no ano de 1.996, como resultado de um acordo de cavalheiros entre os representantes dos Poderes e, até hoje, não foi reestabelecido, gerando problemas e apreensões a todos desta Casa, porquanto a administração não consegue atender a todas as demandas, inclusive aquelas de caráter interno.

Atenciosamente,

Desembargador RAIMUNDO VALES

Presidente

À Sua Excelência o Senhor

ANTONIO WALDEZ GÓES DA SILVA

DD. Governador do Estado do Amapá

Nesta

 

 

EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

1 – OBJETIVO:

Relatar o histórico da evolução do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, confrontando sua crescente demanda com a disponibilidade Orçamentária e Financeira, visando retomar o índice de 8,0% de participação no orçamento estadual, compatível com a real necessidade da instituição.

2 – HISTÓRICO

Em junho de 1995 esta Corte, acompanhada pela Assembléia Legislativa Estadual, pelo Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas do Estado, atendendo aos apelos do Governo do Estado do Amapá, à época, concordou em compartilhar de um esforço dos poderes durante aquele ano, no sentido de ceder parte dos seus recursos orçamentários, com vistas à viabilizar a criação e implementação de um projeto denominado FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL.

Nesse sentido, o limite percentual vigente para elaboração da proposta orçamentária que cabia ao Tribunal de Justiça, sofreu alteração de 8,0% para 6,0%, nos meses de junho a dezembro daquele ano.

A partir de 1996, no entanto, aquele limite de 8,0% não mais foi retomado como previa o acordo de cavalheiros, sendo, entretanto, fixado em 5,8%, promovendo drástica redução no volume de recursos disponibilizados a esta Corte de Justiça, gerando até a presente data, descompassos entre o orçamentado e o executado, requerendo e dependendo de ações junto ao Executivo Estadual, buscando possibilitar o fechamento de suas contas e suprimento das necessidades financeiras e orçamentárias, para cumprimento das responsabilidades legais deste Poder.

O anexo 1 mostra claramente que esses descompassos se fixaram ao longo dos últimos anos, com exceção do ano de 2002 que teve o orçamento consignado na LOA (Lei Orçamentária Anual) com valores adicionais aprovados pela Assembléia Legislativa do Estado do Amapá, posteriormente confirmados por Mandado de Segurança impetrado junto ao Supremo Tribunal Federal. A diferença entre os valores executados e aqueles consignados na LOA, tem variado entre 2,11 % a 16,11% que é a previsão para o corrente ano.

Desta forma, nos últimos anos os recursos orçamentários destinados à Justiça amapaense têm sistematicamente algemado os desejos de uma sociedade livre, justa e solidária.

Nossos dados estastísticos dos últimos dez anos apontam (1996 a 2005):

a) O número de processos em andamento em 1º Instância passou de 15.562 para 73.319, representando o acréscimo de 371,14%.

b) O Corpo funcional de 339 coloboradores foi ampliado para 591, o que constitue a variação de 74%.

c) O Orçamento aprovado pela LOA no ano de 1996 era de R$ 28.150.056,00, sendo este no ano de 2006, R$ 72.310.230,00, significando um acréscimo de 156,87%.

3 – DOS MOTIVOS:

O Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, mesmo diante das dificuldades orçamentárias, caminha no esteio das novas conjunturas, buscando melhor atender às necessidades da sociedade amapaense, abrangendo todo o Estado com:

a) 12 Comarcas, totalizando 34 Varas (Macapá, Santana, Laranjal do Jari, Amapá, Calçoene, Ferreira Gomes, Mazagão, Oiapoque, Porto Grande, Serra do Navio, Tartarugalzinho e Vitória do Jari);

b) 3 Varas de Juizados Especiais: Sul, Central e Norte (Comarca de Macapá);

c) 2 Extensões Cíveis na Comarca de Macapá (Unifap e da Microempresa);

d) 4 Postos Avançados (Cutias do Araguari, Itaubal do Piririm, Pedra Branca do Amapari e Pracuúba);

e) 684 funcionários, 256 servidores à disposição, 59 Juízes e 9 Desembargadores.

f) 62 imóveis, informatizados em uma rede interligando 850 microcomputadores em todo o Estado;

g) 71 veículos e 1 barco;

Visando racionalizar sua operação e seus custos, diversas ações administrativas foram implantadas, dentre estas:

a) Criação do software TUCUJURIS – Sistema de Gestão Judiciária;

b) A criação da Comissão Estratégica de Custos, cujo objeto compreende ações administrativas de conscientização para o aproveitamento de insumos e serviços;

c) Implantação do Sistema de Conta Única de Depósitos sob Aviso à Disposição da Justiça – Lei 0952 de 26/12/2005;

d) Atualização dos valores das Taxas Judiciais – Lei 0953 de 26/12/2005;

e) Implantação de Pregão Presencial;

f) Implantação do Pregão Eletrônico;

g) Implantação do Sistema de Registro de Preços;

h) Sistema Informação de Fornecedores SIF – Contratos;

Dentre os resultados obtidos, a adoção da modalidade de Licitação denominada Pregão, Lei Federal Nº 10.520/2002, tanto em sua forma presencial quanto em sua forma eletrônica representou uma economia em torno de 30% (trinta) por cento na aquisição de bens e serviços.

A implantação do Sistema TUCUJURIS – Sistema de Gestão Judiciária, com o Processo Judicial Eletrônico já em andamento, padronizou procedimentos, formulários e documentos, possibilitando maior celeridade aos atos judiciais; o Processo Administrativo Eletrônico, em desenvolvimento, permitirá o melhor aproveitamento de insumos, bens e mão-de-obra, dando uma nova visão à administração judiciária.

4 – CONCLUSÃO:

Observa-se que nos últimos 10 anos as demandas sociais de responsabilidade do Poder Judiciário, tem sido respondidas, expressando as seguintes composições de relações percentuais entre suas principais variáveis, no período de 1996 à 2005, como a seguir:

a) O crescimento experimentado pelo número de processo, que poderemos chamar como unidade de nossa produção, foi da ordem de 371,14%;

b) entretanto o crescimento do orçamento devido foi de 156,87%;

É evidente que tal situação não pode perdurar por todo tempo. Dificulta o planejamento de nossas ações, promove desgastes nas relações entre os poderes, posto que as partes têm que gastar tempo elaborando proposições, decisões, ações complementares aos orçamentos vigentes, etc. restando sempre pendências para oportunidades seguintes.

É premente que essa questão seja solucionada. Esta Corte tem primado por prestar um serviço de qualidade à população, tendo recebido o reconhecimento do Supremo Tribunal Federal que a qualificou como a Justiça mais célere do País, mas ressente-se, cada vez mais, da insuficiência de recursos para cobrir com presteza todas as demandas que a sociedade apresenta-lhe em todo o Estado.

Nesse sentido, o Tribunal de Justiça do Estado do Amapá submete a proposição de retomar o percentual orçamentário para o índice de 8,0%, número que certamente eliminará todas as dificuldades enfrentadas.

Macapá, 28 de abril de 2006.

Desembargador Raimundo Vales

Presidente do TJAP

 

 

ANEXO I

DEMONSTRATIVO DOS ORÇAMENTOS DO TJAP | NOS ANOS DE 1995 ATÉ 2007

 

 

No Exercício de 1997, apesar de confirmado na LDO o índice de 5,8%, o GEA consignou na LOA um Orçamento correspondendo do percentual de 6,30%.

(¹) No exercício financeiro de 2002, o GEA consignou, através da LOA n.º 0646, de 09/01/2002, o mesmo valor que foi solicitado na Proposta do TJAP. No entanto, a Assembléia Legislativa promulgou a LOA n.º 0649, de 29/01/02, que concedeu novo orçamento ao TJAP. Confirmado, posteriormente, pelo Supremo Tribunal Federal, no Mandado de Segurança n.º 24.206-0, de 06/03/2002.

(²) Previsão de execução para 2006 - Fonte: DECONF

(³) Valor estimado com base na Receita Fiscal Líquida – R$ 1.458.489.691,00 – constante no Relatório Resumido da Execução Orçamentária/GEA, referente ao período de janeiro a dezembro/2005, publicado no DOE 3694, de 30/01/2006.

 

 

EVOLUÇÃO DO QUANTITATIVO DE SERVIDORES DO TJAP

 
 

 

 

 
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